Aprendendo Além dos Poços: Minha Jornada como Estagiária de Desempenho de Reservatórios e Perfilagem na SLB Nigéria


 A experiência de um estágio pode marcar decisivamente o percurso profissional de um jovem engenheiro. No meu caso, os seis meses de estágio na SLB Nigéria foram muito mais do que um requisito académico: representaram uma verdadeira ponte entre a teoria aprendida na universidade e a realidade exigente da indústria petrolífera.

Estudante de Engenharia de Petróleo e Gás na Universidade de Lagos, iniciei esta jornada com entusiasmo, mas também com natural apreensão. Conhecia a reputação global da SLB em matéria de excelência técnica, inovação e sustentabilidade. No entanto, vivenciar essa cultura no dia a dia — num ambiente onde segurança, precisão e desempenho caminham lado a lado — superou todas as expectativas.

Do conhecimento teórico à prática operacional

Ao longo da formação académica, conceitos como porosidade, permeabilidade e avaliação de formações são apresentados de forma essencialmente teórica. O estágio na divisão de Desempenho de Reservatórios, no segmento de perfilagem por cabo, permitiu-me finalmente compreender como esses princípios são aplicados em operações reais de campos petrolíferos.

Desde a primeira semana, ficou claro que os valores fundamentais da SLB — pessoas, tecnologia e desempenho — não são meros slogans institucionais. Através do programa NEST (treinamento de segurança para novos colaboradores) e do processo de integração em Recursos Humanos, fui introduzida à forte cultura de segurança da empresa, assente nas nove regras que salvam vidas, no programa de prevenção de lesões e na regra 5x5.

Mais do que normas, estes princípios fazem parte do quotidiano. Uma frase repetida ao longo do estágio resume bem essa mentalidade: “Não basta ser seguro, é preciso ser seguro segundo os padrões da SLB.”

Uma visão completa dos bastidores da perfilagem de poços

A minha passagem por vários laboratórios, integrados no sistema de gestão do ciclo de vida da tecnologia de perfilagem (TLM), proporcionou-me uma visão abrangente de como as operações de perfilagem são suportadas antes mesmo de chegarem ao campo.

No Laboratório A, tive o primeiro contacto com a importância do controlo de pressão à superfície. Aprendi como equipamentos como os preventores de erupção por cabo (BOPs), coletores de ferramentas, armadilhas e injetores de graxa garantem a segurança e a integridade do poço.

Já no Laboratório B, o foco esteve nos testes de formação e na amostragem de fluidos, elementos-chave para a avaliação do desempenho dos reservatórios. A participação em processos de manutenção de diferentes níveis (SLS 1, 2 e 3) permitiu-me compreender como os dados de pressão da formação sustentam decisões estratégicas de produção.

No Laboratório C, trabalhei com a unidade de skid offshore (OSU), um sistema autónomo de geração e controlo de energia utilizado em operações no mar. Foi neste contexto que princípios teóricos, como a Lei de Pascal, ganharam forma prática, deixando de ser apenas fórmulas para se tornarem sistemas reais.

O Laboratório D destacou-se pelo rigor no controlo de qualidade. Cada ferramenta que regressa do campo passa por processos minuciosos de limpeza, lubrificação, testes elétricos e calibração. Aqui, compreendi que a precisão não é um objetivo abstrato, mas uma responsabilidade essencial para a fiabilidade das operações.

No Laboratório E, o chamado chão de fábrica, acompanhei a preparação final das ferramentas para utilização em campo. Trabalhei com softwares como o Maxwell 2025 e os sistemas WAFE/E-WAFE para aquisição de dados, aprendendo sobre configuração de conjuntos de ferramentas e testes de integridade. Foi neste ambiente que assimilei, de forma clara, o conceito de prontidão operacional.

Por fim, no Laboratório F, o foco esteve nas ferramentas utilizadas após o revestimento e a cimentação do poço. A manutenção de equipamentos de serviços de produção e a realização de testes de funcionamento reforçaram a perceção de que cada operação bem-sucedida é sustentada por inúmeras horas de preparação.


Desafios, aprendizagens e crescimento

Como toda experiência formativa, o estágio também apresentou desafios. A exposição limitada às operações diretas em campo foi, inicialmente, motivo de preocupação. No entanto, rapidamente percebi que o trabalho nos laboratórios oferecia uma aprendizagem igualmente valiosa, ao revelar que disciplina, planeamento e rigor são a base de qualquer operação segura e eficiente.

Lições que ficam para a carreira

O estágio na SLB reforçou princípios fundamentais da engenharia de petróleo e gás: a segurança é inegociável; a disciplina garante a confiabilidade; dados precisos são a base da tomada de decisão; e a integridade constrói confiança e excelência operacional.

Para os futuros engenheiros de petróleo, a mensagem é clara: cada tarefa, por mais simples que pareça, contribui para o sucesso global das operações. O campo petrolífero é uma sala de aula viva, onde a curiosidade, a humildade e a vontade de aprender fazem toda a diferença.

Uma experiência transformadora

Ao olhar para trás, compreendo que este estágio foi mais do que uma etapa académica. Foi uma experiência transformadora, que me deu a confiança necessária para ligar teoria e prática, pensar de forma crítica e perceber que a inovação, muitas vezes, nasce de observações simples.

As lições aprendidas sobre segurança, disciplina e responsabilidade acompanhar-me-ão ao longo de toda a minha carreira. Sigo em frente levando comigo o espírito de excelência da SLB e o compromisso de utilizar a engenharia como uma verdadeira ferramenta de impacto e desenvolvimento.

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